Num momento em que os grupos
e instituições de pesquisa podem atuar em rede, é difícil imaginar
que ainda seja pequena a integração dos pólos de investigação sobre
um dos problemas mais graves que afetam a constituição social do
nosso país e, particularmente do nosso estado, que é o submetimento
da juventude a diversos tipos de violência, especialmente nos
últimos vinte anos, com todas as implicações que uma tal situação
acarreta na produção de novas formas de subjetivação.
A formação de uma rede de pesquisas facilitará a
integração do diálogo entre pesquisadores, o que sedimentará a
produtividade de uma relação interinstitucional ampla. A pesquisa
integrada, a partir da disponibilidade de dados e conclusões que se
torna possível, contribui para eliminar as redundâncias,
potencializando as informações novas, que também se tornam
transparentes para a sociedade, atraindo-a para a própria discussão
do empenho e dos caminhos dos pesquisadores atentos a um determinado
tema.
Além disso, as ferramentas hoje disponíveis para a
comunicação online podem contribuir, desde que haja uma boa
disposição prévia dos partícipes, para a redução definitiva da longa
distância entre universidade e sociedade, entre a reflexão e as
demandas sociais, entre informações intelectualmente e
academicamente bem concebidas e a formulação de políticas públicas.
Deve-se ressaltar que a dispersão dos grupos de
pesquisa e a solidão dos pesquisadores são contra-produtivas em
relação ao tamanho dos aportes financeiros destinados pelas agências
fomentadoras. Este projeto de instalação de uma rede de pesquisa em
Juventudes, Subjetivações e Violências, parte justamente da
reflexão sobre os meios de integrar o pensamento acadêmico
desenvolvido do Estado do Rio de Janeiro sobre esta questão central
da nossa sociedade, e suas contribuições para uma reflexão crítica
sobre o binômio violência/juventude.
Instrumentos como arquivos digitais, com
documentos e publicações – registro e exposição das reflexões dos
grupos de pesquisa sobre o tema –, informações sobre os projetos em
andamento, arquivo de atualidades, fóruns de discussão, banco de
imagens, integração online dos pesquisadores, possibilidade
de atender a demandas públicas de informação, através de consultas
diretas ou por meio de newsletters, além de extensão
ilimitada dos efeitos das pesquisas em âmbito nacional e
internacional, com a contrapartida da adoção de iniciativas e
reflexões bem sucedidas em outros lugares do Estado, do país e do
mundo, são apenas algumas das vantagens da exploração dos recursos
mais avançados da pesquisa em rede com suporte online.
Mas nada disso será bem sucedido se não houver o
processo prévio de comprometimento institucional. Ou seja: o
presente projeto parte do pressuposto de que é realmente necessário
trabalhar sobre dois estágios: o primeiro marcado pela busca de
maturação das relações interinstitucionais de pesquisa, com a
formação de uma rotina de encontros e publicações, e que deverá ser
associada a uma competente interface online. O segundo
composto pelo aprimoramento do suporte de redes online (com
os processos de arquitetura de informação para colaboração,
indexação e publicação de documentos, com suportes para conversações
simultâneas e conferências) para a integração de outros
participantes que estejam a distâncias institucionais ou geográficas
maiores, visto que o pensamento sobre o local não pode prescindir
das colaborações globais. O que propomos aqui é o cumprimento
estrito do primeiro estágio, nesses primeiros dois anos, o que deve
servir de base efetiva para o projeto futuro do segundo estágio.
Particularmente, no que diz respeito ao projeto de
rede de pesquisa Juventudes, Subjetivações e Violências, o
plural enfatizando a multiplicidade de sentidos e interpretações que
estão em jogo sobre esses três termos, multiplicidade própria a uma
disposição de integrar pontos de vistas diversos, parte-se do
pressuposto de que a submetimento da juventude a diversos tipos de
violência (em suas dimensões: física, psico-biológica e simbólica;
em seus universos institucionais: escola, justiça, família,
trabalho, entre outros; assim como nos cenários de ocorrência: nas
comunidades, nas prisões, nos sistemas midiáticos, e na própria
desigualdade de distribuição sócio-espacial dos locais de moradia,
em áreas-integradas e áreas não-integradas, que cobrem todo o tecido
social da cidade do Rio de Janeiro) tem papel constituinte nas
formas de subjetivação da contemporaneidade.
Portanto, esse projeto que está sendo implementado
no Instituto de Medicina Social, e coordenado e supervisionado pelo
professor Joel Birman, e que conta com sete pesquisadores
assistentes de pós-doutorado do IMS/UERJ sob sua orientação direta,
justifica-se tanto pela atualidade do tema-objeto de pesquisa
integrada quanto pelas oportunidades e soluções que a efetivação de
um trabalho em rede nos proporciona.
|